Clientes, bancos e órgãos públicos perguntam cada vez mais sobre as práticas ambientais, sociais e de governança das empresas que contratam. Para uma empresa de engenharia, a resposta convincente não é a política escrita: é o número de cada obra.
A boa notícia é que boa parte desses números já passa pelo financeiro e pelo almoxarifado. Combustível, energia, caçambas e destinação de resíduos geram notas e lançamentos. O trabalho é organizar esses dados para que virem indicadores.
1. Emissões de CO₂: comece pelo combustível
Na construção, as maiores fontes diretas de emissão costumam ser os veículos e os equipamentos a diesel: caminhões, retroescavadeiras, geradores. A forma mais simples de estimar é pelo volume de combustível consumido.
Como calcular:
- Registre o combustível por obra e por equipamento, a partir das notas de abastecimento.
- Multiplique os litros pelo fator de emissão do combustível. Para o diesel, o fator é da ordem de 2,6 kg de CO₂ por litro. Use sempre o fator oficial do ano, como os publicados pelo Programa Brasileiro GHG Protocol.
- Some por obra, por empresa e por período.
| Fonte | Dado de origem | O que lançar |
|---|---|---|
| Frota própria | Notas de abastecimento | Litros por veículo e por obra |
| Equipamentos e geradores | Controle de abastecimento da obra | Litros por equipamento |
| Fretes contratados | Conhecimento de transporte | Distância e tipo de veículo |
| Energia elétrica | Conta de energia | kWh por obra, escritório e servidor |
2. Resíduos: classifique e comprove a destinação
Os resíduos da construção civil seguem a Resolução CONAMA nº 307/2002, que os divide em classes:
- Classe A: reutilizáveis ou recicláveis como agregado, como concreto, tijolo e argamassa;
- Classe B: recicláveis para outras destinações, como plástico, papel, metal e madeira;
- Classe C: sem tecnologia viável de reciclagem;
- Classe D: perigosos, como tintas, solventes e óleos.
Para cada obra, o controle mínimo é:
- Plano de gerenciamento de resíduos da obra, quando exigido pelo município
- Volume ou peso gerado por classe, a partir das caçambas e das notas de coleta
- Destino de cada carga, com o comprovante do transportador e da área de destinação
- Percentual reciclado ou reaproveitado sobre o total gerado
O indicador que mais comunica é simples: quanto da obra foi reciclado ou reaproveitado. Ele também ajuda a reduzir custo, porque o resíduo classe A reaproveitado na própria obra deixa de pagar caçamba.
3. Energia: meça por centro de custo
A energia elétrica aparece nas contas, mas normalmente vai para uma despesa genérica. Para virar indicador, ela precisa ser lançada por centro de custo: cada obra, cada escritório e a infraestrutura de tecnologia.
Com isso, é possível acompanhar:
- o consumo por obra, comparado com o tamanho e a fase de cada uma;
- a parcela que vem de fontes renováveis, quando há contrato ou certificado;
- as obras que dependem de gerador a diesel, que costumam ser as que mais emitem.
4. Social e governança também têm número
O "S" e o "G" do ESG são frequentemente esquecidos na construção, mas são fáceis de medir com o que já existe:
- Segurança: treinamentos realizados, ocorrências por obra, dias sem acidente com afastamento;
- Fornecedores: quantos estão com documentação trabalhista e ambiental em dia;
- Governança: decisões registradas na trilha de auditoria e aprovações dentro da alçada.
Um painel de ESG que cabe em uma tela
| Indicador | Unidade | Por obra | Consolidado do grupo |
|---|---|---|---|
| Emissões estimadas | t CO₂ | sim | sim |
| Resíduos reciclados ou reaproveitados | % do total | sim | sim |
| Energia de fonte renovável | % do consumo | sim | sim |
| Ocorrências de segurança | número no período | sim | sim |
| Fornecedores com documentação em dia | % | não | sim |
Onde entra o sistema
No Ápice, o ESG é um módulo que usa os mesmos lançamentos do financeiro, das obras e da logística. O combustível lançado na nota já alimenta a estimativa de CO₂; a caçamba registrada na obra já alimenta o indicador de resíduos. A Atena acompanha esses números e avisa quando uma obra sai da meta, por exemplo quando um gerador a diesel começa a puxar as emissões para cima, e sugere onde agir.